A Neurótica – Pedra de Aylaat

Se a vida não podia ser mais fácil então que Deus lhe desse força para enfrentar o que viesse. “Dai-me força”, era só o que ela conseguia repetir a si mesma quando o pensamento vagava sem direção. Não podia ter certeza se pedia mais força porque desejava que assim fosse, pesada e conflituada ou seContinuar lendo “A Neurótica – Pedra de Aylaat”

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O MURO DAS PALAVRAS ABAFADAS

“Uma imagem vale mais que mil palavras” nos diz Confúcio, filósofo chinês. Esse dito que já virou mantra popular revela uma verdade mas esconde uma outra versão: uma imagem nos poupa mais de mil palavras. Palavras tão caras, tão difíceis de se encontrar para falar do que se viu, sobre uma experiência que se viveu.Continuar lendo “O MURO DAS PALAVRAS ABAFADAS”

A Neurótica – Turmalina

Quem choraria minha morte? Uma pergunta que a Neurótica sempre se fazia como uma tentativa de medir sua importância nesse mundo, tão cheio e tão ruidoso. Justamente ali onde o outro já não importaria mais. Onde não iria abrir os olhos e vê-los lá, com seus problemas e onipotências. Às vezes não tinha certeza seContinuar lendo “A Neurótica – Turmalina”

A Neurótica – O início

Seu nervosismo já tinha chegado ao limite. Pelo menos era isso que os entes próximos pensavam depois que quebrou alguns itens da casa, bateu o carro por distração e recebeu advertência por má conduta no trabalho. Pelo bem da família e da ordem social, resolveu que tinha que tomar uma atitude. Na verdade essa atitude não tinha absolutamenteContinuar lendo “A Neurótica – O início”

Velório em Festa

A próxima da fila era eu, certamente. A última de minhas amigas de nossa geração havia acabado de falecer de infarto fulminante. Coitada! Me corrijo prontamente em pensamento, coitada nada! Essa sim sabia aproveitar a vida. Tinha 88 anos e posso contar nos dedos seus dias de mal humor. Inclusive tenho uma forte impressão que ainda namoravaContinuar lendo “Velório em Festa”

Um lugar chamado Vó

Algumas avós são mães com açúcar e muito mais…. O tempo que vira sabedoria, cresce feito fermento com o que ensina, deixa muita gente mais doce, macia e porosa. Algumas avós até parecem bolos que falam… Quem não se entregou aos mistérios dos objetos da casa de uma avó? O cinzeiro que vira barco cujaContinuar lendo “Um lugar chamado Vó”

Amanhã pode ser outro dia

Jogada no sofá no auge de seus três anos de idade, sem muito entender sobre o desenho que assistia, apenas ria muito com os tombos dos personagens na neve, dos ataques de fúria do Pato Donald que chegava a deixa-lo com as penas vermelhas, dos abraços apertados da Pata “sem nome” e a alegria dos patinhosContinuar lendo “Amanhã pode ser outro dia”

Amigo Secreto

Final de ano chegou, nada mais justo que celebrar o tempo que passou. Para facilitar as homenagens e as declarações afetivas, o amigo secreto tornou-se com o passar do tempo uma brincadeira bem vinda. E é nessa brincadeira que um garoto sentando em seu banquinho quebrado, instalado propositalmente em uma varanda enjambrada de sua casa,Continuar lendo “Amigo Secreto”

De Ponto em Ponto

Pelas ruelas que andou, pelas escadarias dos morros que subiu, pelos bancos que sentou, nas ribanceiras que desceu com o pés firmes ao chão, com os filhos pequenos em cada mão, não lhe faltou recurso para carregar dentro de si o que cada experiência lhe proporcionou. A vida era difícil, mas repetia a si mesmoContinuar lendo “De Ponto em Ponto”

Pensante Ambulante

“Quanto custa uma alma tranquila e o sono de um inocente? Falam tanto do poder das cifras e esquecem que poderoso mesmo é o pensamento, que mesmo tão abstrato consegue exercer um poder tão concreto!”, proferiu em voz alta numa praça movimentada da cidade um pensante ambulante e meio moribundo. Cada um que passava eContinuar lendo “Pensante Ambulante”

Eu vou mas eu volto!

Era filho da curiosidade e da vida. Sem curiosidade provavelmente não buscaria engatinhar explorando o mundo a sua volta, mesmo com um certo desconforto em seus joelhos e palmas da mão. Sem a curiosidade também não se assustaria com os enigmas das letras, com a grandiosidade das frases e com a chatice da gramática. MasContinuar lendo “Eu vou mas eu volto!”