Quiron era um Deus de sabedoria e espiritualidade que inspiravam a muita gente. Hércules por acidente acertou uma flecha em sua perna. Por ser imortal, não morreu, mas foi gravemente ferido. Quiron se transformou em um grande curador, pois por meio de sua própria dor compreendia a dor do outro. Jamais conseguiu curar a ferida da flechada que levou. Ele podia curar apenas aos outros, mas não a si mesmo. Se tornou o curador ferido, assim conta o mito.

Todos nós temos uma medicina própria. Mas nossa ferida sagrada temos que endereçar a cura para um outro. Não existe um curador universal. A gente escolhe a dedo quem vai botar esse dedo em nossa ferida.

A gente não cura quem se é, fazemos da ferida uma arte, um sinthoma, um dom, um nome, um lugar singular no mundo.

O passado a gente não muda, Quem muda somos nós, que mesmo mancos não podemos recuar do desejo que existe dentro da gente de seguir caminhando.

Melhor uma ferida sagrada do que um corpo sacrificado pela expectativa do outro. Ser um curador ferido é saber que tem limitações e vulnerabilidades, e que nem mesmo os deuses podem ser idealizados. Idealizar é não sair do lugar, é perder a liberdade.

Eduarda Renaux