Em certa ocasião, estava procurando uma dinâmica de grupo para pensar o processo grupal num projeto de desenvolvimento de equipe, quando me deparei com uma atividade que me chamou atenção e me custou alguns momentos de reflexão. A dinâmica se chamava “ de quem é?” e resumidamente consistia no seguinte: formar um círculo com os participantes e escolher um dos participantes para iniciar a atividade. O instrutor dá uma das bolinhas para ele e pede para que este arremesse para outro jogador. Além de arremessar a bolinha a pessoa deve dizer “isto não é meu”. Aquele que recebe a bolinha deve passá-la imediatamente adiante, dizendo a mesma coisa e , assim, sucessivamente. Aos poucos o instrutor deve ir incluindo as demais bolinhas no jogo. Desta maneira em determinado momento estarão em jogo as dez bolinhas, sendo lançadas por diferentes pessoas que estarão falando “isto não é meu”.

Não precisamos ir muito longe para imaginar o campo de batalha que isso iria se tornar. Pessoas tacando como podem as bolinhas uns para os outros e tão longe quanto puderem. Logo de antemão me imaginei quanto participante da atividade. Provavelmente iria ficar com todas as bolinhas na mão e pensar “ok, instrutor, perdi!Podemos terminar a atividade agora?”

Lembro da época de escola em que os professores gostavam de jogar com os alunos o famoso jogo “batata quente”. Jurava que aquela batata queimava de verdade de tão angustiada que ficava quando via a bomba se aproximando. Ou aquela raiva de quando o coleguinha não dava a batata na mão e sim jogava no seu colo com o intuito de dizer “isso não é meu”. Hoje acho que essa era uma forma lúdica dos adultos prepararem as crianças para o mundo que está um tanto quanto “desapropriado” de si.

Isso não é meu, logo jogo a bola para o outro, que a passa a bola para o outro e por ai vai. Adendo: Se entregarem na mão é lucro! Pois muitas vezes vão jogar no seu colo mesmo. Somos bombardeados por bolinhas todos os dias. Saber o que é e o que não é seu é um desafio diário. Escolher as demandas, os ideais, os pedidos e até mesmo os traços de identidade, diferenciar-se do outro. Hoje não tenho muita paciência para pessoas cuja a postura é “isso não é meu”, embora tenha me visualizado com todas as bolinhas no colo. Preciso me apropriar do que é meu, mas também preciso saber que tem coisas que “não são minhas”. Acho que essa é a dificuldade paranoica afinal! Tudo é com você! Isso faz parte da constituição humana, todos já fomos assim! Mas só nos tornamos humanos mesmo, quando conseguimos manejar as bolinhas e saber quando devemos passar para o outro ou topá-las. Enfim….